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Finalmente La Casa de Papel Segunda Temporada, já está disponível na Netflix. A série ganhou diversos fãs e isso é refletido em sua audiência, mas ter um alto nível de popularidade significa qualidade?

Na 1ª temporada fomos apresentados a um grupo de “heróis”, na verdade são bandidos, que merecem ser presos e não vistos como salvadores ou justiceiros. São eles:

  • Tóquio (Úrsula Corberó), uma bandida e assaltante de bancos totalmente desequilibrada psicologicamente, que toma atitudes desvairadas e inconsequentes, causando um enorme alvoroço. Para um “plano perfeito” ela nunca deveria ter sido recrutada;
  • Nairobi (Alba Flores), uma ex-traficante que intimida todos os reféns com ordens parecendo uma animadora de torcidas. E apesar de parecer boazinha, não hesita em apontar a arma para um inocente fazendo ameaças;
  • Rio (Miguel Herrán), um gênio da informática que poderia ser um profissional bem-sucedido, mas trabalhar é difícil, roubar é melhor. E para piorar se envolve com a maluca da Tóquio;
  • Moscou (Paco Tous), um mineiro especialista em escavações querendo ganhar dinheiro para mudar de vida, e como qualquer pai exemplar, se envolve no assalto e ainda leva seu filho para ajudar. Para que incentivar o filho a estudar e trabalhar, quando você pode roubar milhões?
  • Denver (Jaime Lorente), filho de Moscou, um jovem problemático e de atitudes violentas que sempre andou a margem da sociedade. Outro personagem desequilibrado que na realidade nunca deveria ser recrutado para um plano dessa magnitude.
  • Berlim (Pedro Alonso), escolhido como líder do grupo, um sociopata frio que utiliza de terror psicológico com suas vítimas, além de estuprar e agredir psicologicamente uma refém.
  • Helsinque (Darko Peric) e Oslo (Roberto García), dois sérvios que apesar de suas aparências intimidadoras, no fim, são os menos perigosos. Eles estarem vivos ou não na série não tem importância.
La Casa de Papel segunda temporada - Helsique.
Helsique.

Todo o grupo é coordenado pelo Professor (Álvaro Morte), um homem brilhante que em vez de utilizar sua inteligência para algo promissor, resolve realizar o plano de seu falecido pai, um assaltante de bancos que foi morto durante um assalto. Este é o grupo de “heróis” em La Casa de Papel, “exemplos” para a sociedade contemporânea.

O roteiro da produção é muito infeliz, o tempo inteiro a série faz uma inversão de valores em sua narrativa. Colocando a polícia, e até mesmo um dos reféns, como os vilões da história. Atirar em policiais, ameaçar e torturar psicologicamente vitimas não é um crime em La Casa de Papel.

A narrativa é cheia de dramas fora do contexto, relações amorosas sem nexo, sofríveis cenas de ação com tiros editados com CGI e furos saindo pó como efeitos especiais. O roteiro é pobre, novelesco, sem significância e com motivações forçadas para tapear o espectador. Uma série de diálogos desnecessários são implementados, tornando cada capitulo um enorme suplicio.

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O mais interessante na história continua sendo a relação entre o Professor e a Inspetora Murillo, eles ainda executam os melhores diálogos. Mas nos episódios finais de La Casa de Papel segunda temporada, a relação deles é narrada de forma imatura, e o que era bom, torna-se chato.

La Casa de Papel segunda temporada é salva pelas ótimas atuações, o elenco deu o melhor de si. Os destaques vão para Álvaro Morte (Professor), Jaime Lorente (Denver) e Pedro Alonso (Berlim). Este ultimo atua de forma espetacular.

A fotografia da série é sem igual, a iluminação é utilizada de maneira exemplar. A movimentação das câmeras é dinâmica e bem executada dando um dinamismo com cenas limpas e claras. Além de dar uma sensação de profundidade para o espectador bem imersiva.

La Casa de Papel Segunda Temporada acaba sem pontas soltas, um final bem simples e clichê, algo já batido em produções com a mesma temática. A série não é inovadora e muito menos digna de premiações. Na verdade, La Casa de Papel é a prova de que audiência e popularidade nem sempre estão atreladas à produções de qualidade e narrativa primorosa.

REVER GERAL
Geral
Sempre almejei ser orfão de pais bilionários, ganhar poderes com a radiação solar ou proteger a Deusa Athena, mas "One-above-all" não concedeu - me tais dádivas. Descontente com o destino que os deuses me impuseram tornei-me um leitor compulsivo, PCgamer, série maníaco e cultuador da força. Qual pílula você quer? A azul ou vermelha ?