American Horror Story Cult é a 7ª temporada da franquia de horror antológica liderada pela mente criativa de Ryan Murphy. A série é uma das mais aclamadas produções de horror da atualidade. Sempre abordado uma enorme miscelânea de lendas, mitos e gêneros do terror clássico com a realidade contemporânea.

É sempre gratificante ver como o mundo real se mescla com os medos e lendas já tão explorados por Hollywood. American Horror Story sempre enfatiza que os verdadeiros monstros são humanos, nós somos a verdadeira e mais perigosa ameaça. E este conceito fica mais evidente e potencializado em Cult.

American Horror Story Cult é um banho de modernidade, fatos e acontecimentos presentes na política e estilo de vida americano. A série tem como palco principal a eleição e mandato do presidente Trump, e os roteiristas da série passam a totalidade de suas decepções a cada capítulo. E isso acaba transformando a série em uma afronta pessoal e direta contra o governo Trump.

American Horror Story Cult
O perigoso Kai Anderson, interpretado por Evan Peters.

Realmente o presidente Trump transformou a política mundial em um palco de horrores. Mas American Horror Story Cult trata tudo de forma muito caricata, grosseira e mau trabalhada, e muitas decisões acabam virando uma grande piada. O roteiro toma várias decisões muito controversas e mirabolantes. Tudo bem que estamos falando da franquia AHS, mas por se tratar de um tema tão atual e sério, as decisões deveriam ser mais maduras para haver um verdadeiro impacto ao satirizar a atual situação política nos EUA.

No enredo, em vista a ascensão de Trump, Kai Anderson (o excepcional Evan Peters) decide fundar um culto de supremacia branca e masculina para dominar a politica estadunidense. Em meio a manipulações e lavagem cerebral, Kai ganha uma vasta gama de seguidores e como isso ascensão na política local de sua cidade.

Sinceramente toda a glória de American Horror Story Cult vai para a atuação de Evan Peters. Ele interpreta magistralmente vários líderes de cultos da vida real, o ator parece um “camaleão humano”. Peters mostra todo o seu potencial e retrata de uma forma bizarramente maravilhosa as características débeis e ridículas de homens com pensamentos completamente estúpidos. E ao mesmo tempo ele nos faz compreender a visão de cada um desses sociopatas.

Evan Peters passa toda a fúria, estupidez e a forma grotesca da visão do mundo de cada indivíduo interpretado. E excepcional ver as mudanças, sotaques e olhares personificados pelo ator, realmente fabuloso.

American Horror Story Cult
Ally, interpretada pela fabulosa Sarah Paulson.

Em contrapartida a Kai Anderson temos Ally (a “scream queen” Sarah Paulson), uma personificação da mulher lésbica independente. Mas a personagem vem com uma enorme carga de frustrações e traumas, e a série mostra de forma rasa, rápida e sem relevância tais medos. Não existe um aprofundamento sobre os motivos de tantos problemas psicológicos. E isso acaba atrapalhando o verdadeiro potencial que a personagem poderia ter atingido.

Ally só ganha destaque graças a força interpretativa magnânima de Sarah Paulson. Em meio as decisões ruins e vazias do roteiro, a atriz rouba a cena. O espectador sente toda a vulnerabilidade da personagem nos primeiros episódios. E também toda a intangibilidade e ascensão nos capítulos seguintes. Sarah Paulson, sem dúvidas, é a melhor “scream queen” da atualidade, ela é fabulosa!

A pauta principal do roteiro, que seria inicialmente a política Donald Trump, acaba ficando perdida. E em meio a tantas atitudes ruins e desconexas do roteiro, a pauta principal se transforma em uma guerra de gêneros. O feminismo acaba sendo caracterizado de maneira totalmente caricata e irônica. E do outro lado os homens se tornam a escória da humanidade, a série deixa claro que o mundo seria melhor sem homens.

Independente da opção sexual, os homens são o lixo do mundo, seja gay ou hetero. Inclusive os gays do sexo masculino são caracterizados de forma grosseira e desmiolada, tudo em um contexto sujo e vulgar. Entendo que a ideia era chocar, mas tudo se torna tão irônico e desrespeitoso que vira piada.

A série toma poucas decisões assertivas como crítica social. O forte da produção esta em retratar acontecimentos pavorosos do passado, como o caso Charles Manson ou o episodio sobre o tiroteio em massa. Nestes poucos momentos vemos o potencial e mente de Ryan Murphy. Mas no geral a série esta longe de ocupar um lugar entre as melhores temporadas de AHS.

American Horror Story Cult começa com boas intenções e insinua um bom rumo. Mas ligeiramente toma caminhos vazios, exagerados e humorísticos. Perdendo a função de ser uma produção verdadeiramente impactante e revolucionaria para combater a atual politica depreciativa, opressora e preconceituosa norte americana.

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REVER GERAL
Amarican Horror Story Cult
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Sempre almejei ser orfão de pais bilionários, ganhar poderes com a radiação solar ou proteger a Deusa Athena, mas “One-above-all” não concedeu – me tais dádivas. Descontente com o destino que os deuses me impuseram tornei-me um leitor compulsivo, PCgamer, série maníaco e cultuador da força. Qual pílula você quer? A azul ou vermelha ?