Percorrer o mundo seguindo pistas de um tesouro escondido a anos, descobrir cidades perdidas, explorar cenários ricamente detalhados, enfrentar soldados em tiroteios e participar de cenas de ação simplesmente frenéticas. Acho que desde a criação da franquia Uncharted que nada disso foi tão divertido e emocionante, e Uncharted 4: A Thief’s End chegou para elevar as coisas a um novo nível.

Apesar de ter sido lançado em 2007, apenas em 2016 que pude começar a jogar essa franquia e após adquirir o Uncharted Nathan Drake Collection fiz uma verdadeira maratona, um jogo após o outro incansavelmente. E então fui para a grande conclusão da franquia, que apesar de ter me desagradado em alguns pontos, é um jogo incrível e imperdível.

A história de Uncharted 4: A Thief’s End

Após os acontecimentos de Uncharted 3: Drake’s Deception, Nathan Drake se casa com Elena Fisher e juntos resolvem ter uma vida normal. Nathan passa a trabalhar para uma empresa que recupera objetos do fundo do mar, e Elena volta a seu emprego de jornalista (que na verdade ela nunca abandonou). Mas desde o inicio é possível perceber o quanto Nathan sente falta de toda emoção que suas aventuras proporcionavam, seja durante seus mergulhos, ou durante suas simulações de tiroteios com armas de brinquedo no sótão de casa, ou até mesmo nos momentos em que se perde em pensamentos ao olhar uma foto do passado.

A tranquila vida de casado de Drake
A tranquila vida de casado de Drake

Mas as coisas mudam quando Sam, o irmão mais velho de Nathan (sim, ele tem um irmão), aparece pedindo sua ajuda e mesmo relutando, Nathan abandona sua vida (e sua esposa). Como de costume, Nathan pede ajuda a Sully e a seu antigo mentor, melhor amigo e parceiro e os 3 partem em busca do tesouro do pirata Henry Avery.

As vezes eu sentia como se Nathan se arrependesse de ter casado e abandonado sua antiga vida, mas algumas coisas que são reveladas sobre seu passado, me fizeram entender porque toda a aventura tem mais uma cara de “resolver um assunto pendente” do que “preciso salvar meu irmão”.

Sam, Sully e Nathan
Sam, Sully e Nathan

Porém, nada é fácil e simples e toda caça ao tesouro possui mais de uma pessoa na jogada. Rafe, um antigo parceiro de Nathan e Sam também esta perseguindo o mesmo tesouro e ele esta aliado a Nadine, uma mercenária que lidera uma organização chamada Shoraline. Todo o jogo é uma verdadeira corrida para ver quem desvenda as pistas primeiro e consegue chegar ao tesouro.

Se nos primeiros três jogos a Naughty Dog já conseguiu fazer um belo trabalho com a narrativa, em Uncharted 4 as coisas chegaram ao ápice e arrisco dizer que é a melhor coisa do game. As relações entre os personagens, seus conflitos, as revelações do passado de Nathan e Sam e toda a historia do jogo em si. Tudo flui muito bem e apesar da trama principal ser bastante previsível (lembro que minha namorada cantou o final do jogo quando eu ainda estava no inicio) todo o conjunto funciona muito bem e você consegue relevar algumas coisas.

Não se engane por essas carinhas. Nadine e Rafe são perigosos
Não se engane por essas carinhas. Nadine e Rafe são perigosos

Ainda assim achei que Uncharted 4 cria umas inconsistências na história. Em Uncharted 3 nos descobrimos que Nathan conhece Sully enquanto ele ainda era bem jovem e tudo dá a entender que eles estiveram juntos desde então. Mas em Uncharted 4 descobrimos que Nathan e Sam andaram juntos quando ainda eram pequenos e que os 2 já caçaram tesouros juntos. Apesar de ser possível que as duas historias de origem sejam unidas em uma só, o roteiro não se preocupa nem um pouco em tentar unir as duas coisas.

Outro ponto que achei um pouco injusto com os jogos de PS3, foi a exclusão de Chloe Frazer e Charlie Cutter. Apesar de Cutter ser mencionado no inicio do jogo, nem ele e nem Chloe aparecem em momento algum. Sei que eles são coadjuvantes, mas eles já auxiliaram Nathan no passado e em diversos momentos dessa nova aventura, uma ajuda seria muito bem vinda. Nem que fosse apenas uma participação especial, e queria ver todos os personagens dos jogos anteriores, ainda mais nessa que seria a ultima aventura de Nathan Drake.

E se já comecei a falar de injustiças, não posso deixar de citar Elena Fisher. A personagem esteve presente em todos os jogos e apesar de nunca ter corrido de uma briga (mas já ter sido obrigada a fugir de uma), a personagem fica de fora de pelo menos 2/3 do jogo. Para Nathan, Elena nunca entenderia que ele precisava voltar para sua antiga vida para salvar seu irmão.

Mesmo que eu tenha gostado de quando Elena entrou efetivamente na historia (e por conta própria), eu queria que a personagem tivesse aparecido bem mais vezes.

A serenidade no olhar de quem descobriu a pista para o tesouro
A serenidade no olhar de quem descobriu a pista para o tesouro

O Gameplay

Uncharted 4 tem algumas mudanças bem visíveis em relação ao seus antecessores. As lutas com sequencias de botões retornam e trazem momentos muito bons (principalmente a luta final <3), contudo alguns movimentos do personagem durante as lutas ficaram muito repetitivas e acabam se tornando desinteressante rapidamente.

Outra novidade no combate é o “modo stealth”. Agora os inimigos possuem um sensor para identificar quando você foi visto e o cenário possui muitos lugares onde você pode se esconder. De certa forma, essa mecânica deu ao jogo um foco maior ao modo, te dando mais opções para terminar os confrontos. Isso é interessante e agradou muita gente, mas particularmente eu não gostei e preferia quando tudo era resolvido com tiros e granadas.

Comparado aos jogos anteriores, Uncharted 4 possui uma área de exploração muito maior
Comparado aos jogos anteriores, Uncharted 4 possui uma área de exploração muito maior

Já as explorações continuam sendo um ponto forte e agora os cenários são muito maiores e mais detalhados. Não vai ser incomum que você fique deslumbrado ao explorar alguns lugares. Porém tudo continua sendo linear, apesar de todo o espaço por onde você pode transitar, sempre haverá apenas um caminho certo.

Se por um lado os cenários se tornaram maiores e mais detalhados e os combates ganharam novas formas de conclusão, os momentos de ação frenética que eu tanto aclamei em Uncharted 2 e 3 foram bastante reduzidos no 4° jogo. Não existem mais tantas cenas como prédios desmoronando com você dentro ou um avião explodindo enquanto você procura uma forma de sobreviver.

Uncharted não seria Uncharted sem uma cena de ação frenetica
Uncharted não seria Uncharted sem uma cena de ação frenetica

Nas primeiras horas do jogo eu pensei que tais momentos haviam sido eliminados de vez, talvez porque os cenários maiores tiram um pouco do controle que a narrativa tinha sobre as ações do jogador ou talvez porque Uncharted 4 foca tanto em sua historia e conflitos de personagens, que a Naughty Dogs tentou fazer algo mais real (na medida do possível), e achou melhor reduzir esses momentos.

Mas uma coisa é certa, as cenas desse tipo que existem no jogo são simplesmente insanas. A perseguição que acontecem em uma cidade portuária de Madagascar deve ter sido uma das melhores cenas que eu já vi em um jogo. É algo simplesmente frenético.

Outro ponto interessante é a possibilidade de examinar elementos do cenário. Durante o jogo você pode encontrar cartas, estatuetas ou outros objetos que você pode examinar para conseguir mais detalhes sobre a trama. Nada disso é obrigatório, mas ajuda na imersão do jogo. Porem algumas coisas do cenário são importantes para a historia ou para a resolução de alguns puzzles e Nathan acaba tomando nota em seu famoso caderno para que possa ser consultado mais tarde.

Anotações no caderno de Nathan com pistas para o tesouro
Anotações no caderno de Nathan com pistas para o tesouro

Gráficos e trilha sonora

O trabalho gráfico realizado em Uncharted 4 é simplesmente incrível. Os cenários são inacreditavelmente belos e os personagens e suas expressões faciais são muito bem detalhados. Para um jogo que é focado tanto na narrativa quanto Uncharted 4, ter personagens com expressões faciais tão bem feitas é um ponto extremamente positivo.

Mar verde, lancha de madeira e uma ilha ao fundo, cenário perfeito e o gráfico é perfeito em cada pixel.
Mar verde, lancha de madeira e uma ilha ao fundo, cenário perfeito e o gráfico é perfeito em cada pixel.

Já a trilha sonora não fica atrás. Assim como nos jogos anteriores, ela é muito bem feita e combina demais com o jogo. Além de dar uma empolgação extra em muitos momentos do jogo.

Conclusão

Uncharted 4 é um jogo incrível e além de trazer mecânicas novas e um gráfico sensacional, toda atenção que a Naughty Dog deu a narrativa, dá ao jogo um toque todo especial a essa ultima aventura de um dos maiores personagens da geração passada e que marcou toda uma geração no PS3.

Mas logico que até esse jogo tem problemas e algumas mudanças na mecânicas e decisões no roteiro podem desagradar algumas pessoas. Mas nem mesmo esses problemas conseguem tirar o mérito que esse jogo conquistou.

Esse é um jogo que com certeza vale a pena jogar, é algo que vale a pena ter em sua coleção se você tiver um PS4. E se você nunca teve contato com Uncharted, não comece por aqui porque essa é uma franquia que merece ser apreciada desde o seu inicio. Aproveite que a versão remasterizada dos jogos anteriores saíram para o PS4 e conheça toda as aventuras de Nathan Drake.

Cenário sombrio com picos e nebilnas

A partir daqui Nathan provavelmente estará aposentado, mas a franquia não acabou. Uncharted: The Lost Legacy já foi anunciado e irá trazer como protagonista as personagens Chloe Frazer e Nadine Ross. Quem sabe não vemos mais alguns rostos conhecidos fazendo uma participação especial?

Entretanto, mesmo tendo gostado de Uncharted 4, não deixo de me perguntar como seria essa ultima aventura se Amy Hennig, a diretora e roteirista dos 3 primeiros jogos, continuasse no projeto.

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Gamer, "guitarrista", blogueiro e aspirante a participante do MasterChef. Grande fã de Final Fantasy (Kefka > Sephiroth. deal with it), adora jogos de tabuleiro, quadrinhos, RPG e pizza. Objetivo de vida: ter uma barba maior que a do Alan Moore.