Cuphead é um game estilo “run and gun” de plataforma criado pelos irmãos canadenses Chad e Jared Moldenhauer, desenvolvido e publicado pela empresa Studio MDHR. Rapidamente Cuphead ganhou uma reputação de ser muito difícil e “drenar a alma” dos jogadores, além de conquistar uma legião de fãs. Apesar da fama de “hardcore”, Cuphead é incrivelmente acessível e disciplinador. Mas a frente você entenderá a lógica!

Cuphead é visualmente lindo, seu estilo de arte, uma homenagem aos desenhos animados da década de 1930 é perfeitamente divertido e caricato. Os irmãos Chad e Jared Moldenhauer e o animador Jake Clark, desenharam a arte toda a mão. Não me recordo de nenhum jogo com esta imagem e profundidade, o jogador se sente mergulhado em um desenho animado o tempo inteiro.

O resultado da jogabilidade com os gráficos é uma evolução dentro de um retrocesso, uma originalidade em um gênero clássico, uma reinvenção em meio a nostalgia. Simplesmente brilhante! Os criadores conseguiram emular de forma fantástica os desenhos de 1930.

Cuphead não deve ser intitulado como game difícil. Ele remete ao estilo clássico de games que exigem paciência, bons reflexos e acima de tudo disciplina e vontade de aprender. Se você é do tipo que só gosta de games da Telltale, para ficar clicando e vendo história. Então nem tente!

Cuphead é para quem gosta de bons desafios no melhor estilo Megaman, Sonic, Mario, Contra ou até mesmo Shadow of Colossus ou Dark Souls. Tem que gostar de desafio!

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O Diabo intimidando os heróis.

Antes de continuarmos vamos entender a história, Cuphead é um simpático personagem que tem uma cabeça de xícara, ele um dia vai a um cassino e perde a aposta. Mas o coitado não sabia que o cassino pertencia ao Diabo. Para pagar sua dívida ele deve enfrentar diversos chefões e recuperar os contratos que eles possuem com o satanás. Ou Cuphead aceita o desafio ou sua alma será levada como pagamento.

Com essa premissa o jogador se depara com os mais mirabolantes chefes e seus “minions” aterradoramente chatos. Como arma temos a disposição tiros infinitos que devem ser usados para atingir pontos específicos, como barriga, cabeça, peito ou outros pontos vulneráveis. Ao mesmo tempo você deve esquivar dos ataques cada vez com padrões mais complexos.

As lutas possuem um tempo médio, do começo ao fim, de cerca de dois minutos e são divididas em algumas fases. Cada fase apresenta seu próprio novo conjunto de desafios. O que exige uma disciplina para aprender, reeducar – se e adaptar – se a cada mudança. De início dá uma frustração por estar perdendo, mas ao completar uma fase a sensação de realização é enorme. Você se sente um verdadeiro herói!

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Cuphead enfrentando um chefe com face diabólica.

Cuphead força o jogar a se educar e superar obstáculos. Toda luta contra um “boss” tem uma estratégia que deve ser aprendida através do método de tentativa e erro. Você enfrentará um inimigo e irá gritar, “nãooooo, por que fiz isso?”, “é impossível de passar”, “esse jogo é do demônio” ou “esse jogo está me roubando!”.

Mas quando respirar fundo e prestar atenção. Irá descobrir algum padrão, algo que estava ali o tempo inteiro, as vezes bem óbvio, e dará risada se achando o maioral por tal descoberta.

Cada progresso que fiz em Cuphead contra os chefes, foi simplesmente tentando, errando e memorizando. Não porque eu sou um mestre dos games, mas tive disciplina e foco. Em Cuphead ficar com raiva de errar ou perder não leva a nada. Tudo deve ser considerado aprendizado, ou seja, aprenda com seus erros, está é sua maior arma.

O game não foi projetado para os orgulhosos que querem apenas atirar e correr de forma desenfreada. Esta atitude será punida com estágios cheios de armadilhas, minions mais mortais que o próprio chefe e infinitos projeteis para tirar sua vida. Em contrapartida, a jogabilidade irá recompensar o jogador com soluções que exigem métodos lógicos, cuidadosos e pensativos. Então se perder, antes de tentar novamente, beba uma água e pense.

No quesito de armas e habilidades especiais, o jogo proporciona várias ferramentas rapidamente. Uma variedade que permite ao gamer novas experiências e métodos para vencer os desafios. Durante a jogatina é possível carregar consigo dois tipos diferentes de tiros e um especial. Então teste cada arma ganha para saber qual melhor se adequa a determinada fase.

O jogo, o tempo inteiro irá exigir uma enorme atenção, o jogador não pode ficar focado em apenas um ponto. Enquanto o chef está soltando um poder, seus minions fazem o mesmo e ainda tem os obstáculos alterando o tempo inteiro. Foco e uma mente descansada depois de um boa noite de sono com certeza ajudará.

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Mapa onde é possível ter acesso ao shop e fases.

Novas armas e habilidades podem ser compradas em um shop. Mas as moedas para adquiri – las só podem ser encontradas em fases especificas, não em fase com boss. Existem no mapa fases clássicas de “run and gun”, no estilo Mario Bros, pular obstáculos, matar inimigos e coletar moedas. Elas são poucas, mas cruciais para evoluir no game.

Eu queria deixar aqui meus sinceros agradecimentos aos irmãos Chad e Jared Moldenhauer e a desenvolvedora Studio MDHR. Jogos como Cuphead são raros, a indústria de games atualmente produz games para “zerar”. Não exigem um alto nível de disciplina ou exigências para chegar ao fim. E isso tornou a atual geração de gamers imbecilizada. Com a atual mentalidade alimentada pelos games atuais, zerar games clássicos como Mario Bros, Mega man, Donkey Kong ou Contra virou uma tortura.

Cuphead tem uma trilha sonora fenomenal e orquestralmente deslumbrante, o visual é impecável. Um ponto negativo, não sei se foi proposital, é que em determinados momentos o visual pode atrapalhar a visibilidade. Escondendo alguns projeteis ou até mesmo inimigos. Isso acaba estressando muito, porque você vai estar em seu maior nível de foco, e do nada é atingido por algo que nem dá para ver.

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Fase Shoot ‘em up sendo jogado no modo coop.

O modo Coop local é fenomenal, rende muita diversão entre amigos. A diversão é garantida e você terá alguém para compartilhar seus momentos de frustrações e vitórias. Toda vez que um dos players morre, o parceiro pode ressuscita – lo utilizando um pulo duplo, chamado no game de “parry”. E isso pode ser vantajoso ou não, vai depender do momento.

Sinceramente ver as pessoas encarando Cuphead como um game de experiência difícil e cruel é muito decepcionante. É uma vergonha para a sociedade gamer encarar jogos de plataforma clássicos e com uma dificuldade comum nos anos 80 e 90, como sendo cruéis, enfadonhos e torturantes.

Mas Cuphead é feito para os fortes e disciplinados, para a geração “mimimi” deixo um conselho: “Sentem e chorem!!”. Cuphead é uma obra prima em diversos aspectos. Espero que seu sucesso desperte um interesse na indústria dos games para termos mais jogos assim, e quem sabe a próxima geração de gamers seja hardcore.

Ahhhh!! Eu já ia esquecendo! O final de Cuphead… ahhhhhhh… o final vai te deixar com raiva, mas jogue para saber, nada se spoilers aqui!

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