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Sempre ouvi muita gente elogiando Uncharted, mas por algum motivo eu sempre tive um pé atrás em relação ao jogo. Não ter acesso a um PS3 contribuiu para que minha opinião continuasse a mesma durante muito tempo.

Porém, após voltar a ter um console da geração atual, no caso um PS4 Slim, eu decidi dar uma chance ao jogo. Aproveitei pra comprar logo o bundle do console e ele veio com o 4° jogo da franquia, mas se era conhecer o jogo, queria fazer isso direito. Então comprei o Uncharted: The Nathan Drake Collection e comecei minha jornada.

Uncharted: Drake’s Fortune

Nathan Drake é um ladrão de tesouros e ao lado da jornalista Elena Fisher, estar em uma expedição para encontrar o caixão de seu descendente Sir Francis Drake, onde pretende encontrar pistas que o levariam a um grande tesouro.

Ao tirar o caixão do fundo do oceano, Nathan tem suas suspeitas confirmadas, aquele não era o local de sepultamento de Francis Drake e sim o local onde estava a pista que ele procurava. Nesse momento o barco onde o protagonista e Elena estavam é atacado por piratas. O oceano se torna palco de um tiroteio e após tiros e explosões os personagens são salvos por Victor “Sully” Sullivan, amigo e mentor de Nathan.

A pista que Nathan encontrou o levaria em busca do El Dorado, cidade que segundo as lendas é feita de ouro maciço, esconde incontáveis riquezas e estaria escondida em algum local das Américas. Perdida a muitas décadas e só esperando alguém para reivindicar seus tesouros. Mas nem tudo é simples já que o caçador de tesouros Gabriel Roman e seus homens também se envolvem na caçada.

No decorrer do jogo você passa por cenários muito interessantes. Florestas, ruinas antigas, templos, cidades abandonadas a anos e a lista segue. É realmente muito divertido passar por todos os cenários. Mas, fiquei meio incomodado com o fato de passar muito tempo no mesmo local. Quando eu digo isso, não é que os locais sejam repetitivos, mas sim que em boa parte do tempo você está em uma mesma ilha e ser um caçador de relíquias que não viaja metade do mundo atrás de algo me deixa meio frustrado.

As cenas de ação do jogo são legais, temos explosões, tiroteios, perseguições de carro na floresta e ate alguns momentos em que você usa um JetSki (e que é chata pra….). A variedade de armas também é algo bem legal, contudo a IA não é das mais inteligentes e você consegue sobrepujar os adversários com facilidade (pelo menos nas dificuldades que humanos normais conseguem jogar).

Já uma das coisas que eu gostei bastante foram os personagens e tanto o personagem principal quanto os coadjuvantes são bem desenvolvidos no decorrer da historia. Elena e Sully estão longe de ser aqueles personagens chatos que vão ficar gritando para serem salvos ou vão estar em perigo a cada segundo só para atrapalhar seu jogo. Ao invés disso, eles vão estar ao seu lado, com uma arma na mão e atirando em tudo o que aparecer na frente e vão te ajudar a resolver alguns puzzle. Até dar umas dicas quando você precisar. A interação entre os personagens é algo que se destaca e isso da uma profundidade ao jogo.

Particularmente, Elena e Sully acabaram se tornando os personagens que eu mais gostei em toda a franquia.

No geral, Uncharted: Drake’s Fortune é um jogo legal, ele acerta em muitos pontos, tem um plot interessante e personagens bem legais. Mas para mim ele não passou disso, não passou de ser nada além de legal e eu admito que zerei me perguntando o que fez essa franquia ser tão aclamada.

Eu sei que é injusto julgar o primeiro jogo da franquia sem levar em conta o momento em que ele foi lançado, o que aconteceu em 2007. Mas vendo ele hoje em dia, como meu primeiro contato com a franquia, eu não consegui ver grande coisa. Muito provavelmente na época do seu lançamento ele foi um jogo incrível, porém como já aconteceu com muitos outros jogos, ele envelheceu mal.

Mas esse era apenas o começo da minha jornada.

Uncharted 2: Among Thieves

Você acorda em meio a um acidente de trem e percebe que o vagão onde você se encontra esta pendurado em um precipício. Mesmo com o corpo dolorido e a tontura causada pelas concussões espalhadas pelo corpo, você precisa escalar o vagão o mais rápido possível antes que ele acabe despencando no precipício e você tenha o mesmo destino. E é assim que se inicia o segundo jogo da franquia Uncharted.

Já nesse momento o jogo começa a empolgar e mostra o quão incrível será essa nova aventura. Mas antes de continuar, precisamos descobrir como você chegou até aquele momento e é então que voltamos para onde a aventura realmente começou. Dessa vez Nathan Drake foi procurado pelo seu amigo Harry Flynn e sua namorada Chloe Frazer, para invadir um museu e roubar uma lâmpada que pertencia ao explorador Marco Polo. Apesar de parecer um artefato sem importância, a lâmpada poderia conter pistas para encontrar um grande tesouro.

Mas claro que nunca é tão simples e outras pessoas também então envolvidas na jogada e Nathan precisa confrontar verdadeiros exércitos (isso inclui tanques de guerra e helicópteros!). E ainda precisa lidar com traições. Mas ele não estará sozinho nessa, pois apensar de personagens novos estarem fazendo sua estreia, tanto Elena quanto Sully estão de volta para auxiliar o protagonista. Nesse ponto o roteiro trabalha muito bem com os personagens e seus relacionamentos.

O jogo tem uma evolução absurda em relação ao jogo anterior e dessa vez eu entendi o que fez essa franquia ser tão adorada. Todos os pontos positivos do primeiro jogo foram melhorados, a movimentação do personagem é mais fluida, as cenas de ação são muito boas e o uso da câmera de forma mais cinematográfica só colaborou para deixar tudo ainda mais incrível. Em alguns momentos parece mesmo que você esta assistindo a um filme no melhor estilo Indiana Jones.

Existem certos momentos no jogo onde toda a cena parece ter saído de um filme. Como ser perseguido por carros de guerra blindados, escorregar por um prédio que esta desmoronando, fugir de um helicóptero implacável ou o clássico escapar de um templo antigo que esta se auto destruindo. Esses momentos são sempre empolgantes em filmes de ação/aventura e em seu segundo jogo, Uncharted conseguiu introduzir isso a franquia de uma forma incrível.

Uncharted 2 ganhou diversos prêmios na época do seu lançamento, incluindo de jogo do ano, e acredite, todos foram merecidos. Esse é um jogo que vale a pena ser jogado e mesmo tendo sido lançado em 2009, ele continua sendo incrível.

Meu único medo era que seu sucessor não conseguisse manter a qualidade. Bom, ainda bem que eu estava errado.

Uncharted 3: Drake’s Deception

Depois de uma cena inicial como a de Uncharted 2, eu esperava algo alucinante no jogo seguinte, mas Unchart 3 tem uma abertura um pouco mais morna, com Nathan e Sully tentando vender o anel de Francis Drake. Logico, que assim como tudo envolvendo Nathan, as coisas dão errado e as coisas terminam em um quebra pau dentro de um bar, com direito a garrafada no melhor estilo briga de saloon.

Nesse momento já da para notar que a dinâmica das brigas foram melhoradas. Fazendo uso de sequencias de botões as lutas se tornaram mais coreografadas e mais atraentes, já que esse tipo de combate não é um dos focos do game.

Mas claro que as evoluções não ficam apenas nisso. Uncharted foi uma franquia que conseguiu se superar em cada jogo, sempre refinando suas melhores características. Se no anterior as cenas de ação eram cinematográficas ao ponto de eu comparar com filmes, nesse as coisas são ainda melhores e com alguns momentos que eu irei lembrar para sempre como uns dos meus favoritos. A cena do avião por exemplo, representada na capa do próprio jogo, é incrivelmente legal e a sequencia no deserto também é muito boa.

Como sempre, os personagens tiveram seu destaque. Todos os aliados de Nathan estão de volta, com a estreia de Charlie Cutter (o novo namorado de Chloe e também caçador de relíquias), e o roteiro volta a trabalhar muito bem em aprofundar os relacionamentos. Mesmo sendo um jogo de ação, existe um bom desenvolvimento na personalidade e relações dos personagens. Para mim esse sempre será um dos pontos altos da franquia.

Outro ponto forte em relação aos personagens é que em alguns momentos o jogo mantem 3 personagens coadjuvantes andando ao seu lado e consegue deixar isso interessante. Eles não atrapalham e nem vão encher seu saco, mas vão ajudar a avançar a historia, vão discutir sobre o plot principal e a interação constante entre todos é muito legal. Dá até pra sentir a tensão entre alguns deles.

Já no plot central do game, dessa vez acabamos por conhecer um pouco do passado de Nathan e vemos que desde jovem ele procura desvendar os segredos de uma certa expedição de Francis Drake e os tesouros que ele escondeu durante essa viagem. Mas logico, que tem mais gente envolvida e dessa vez os perigos são ainda maiores, pois Katherine Marlowe, uma mulher poderosa e com um exercito na ponta dos dedos. Ela tem muita influencia e disposta a tudo para alcançar seus objetivos. Até mesmo matar todos os aliados de Nathan se for preciso, e também está procurando pelo mesmo tesouro.

Ao longo do jogo vamos vendo essa busca se tornando uma obsessão para Nathan e que ele nunca vai parar ate que as pistas de Francis Drake o levem ao destino final, seja lá onde for. Fazendo com que até mesmo Elena e Sully questionem Nathan e tentem convence-lo a desistir porque não vale a pena.

Além de todos os pontos, o jogo ainda conseguiu resolver um problema que eu tinha desde o primeiro jogo que era em relação ao boss final. Por ser um jogo com pessoas normais, eu considero sempre complicado fazer um boss fight satisfatória pois o adversário é humano. Mas Uncharted 3 consegue trazer uma luta satisfatória e bem produzida.

Conclusão

Com uma mistura de Indiana Jones, Tomb Raider e o que há de melhor em filmes de aventura, a franquia Uncharted com certeza merece todos os prêmios que recebeu e merece o seu lugar ao sol, junto de outros grandes títulos. Apesar de os três primeiros jogos já serem clássicos da geração passada, essa franquia ainda será lembrada com carinho por muito tempo.

Jogar Uncharted Nathan Drake Collection é praticamente obrigatório para qualquer dono de PS4 e é uma ótima experiencia, ainda mais pois trás os 3 primeiros jogos da franquia, todos remasterizados. Apesar de o primeiro não ser um grande jogo hoje em dia, os outros dois envelheceram muito bem.

Vale a pena jogar Uncharted, vale a pena se aventurar pelo mundo caçando tesouros, descobrindo cidades perdidas, participando de tiroteios e sendo o protagonista de umas das cenas de ação mais legais dos games. Se você ainda não jogou, jogue porque você dificilmente vai se arrepender.

Nota

Nota 5
Nota 5/5