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Comecei a jogar The Deadly Tower of Monsters sem nenhum tipo de expectativa, então foi uma surpresa para mim descobrir que o jogo é muito interessante e divertido. É como se fosse uma grande homenagem aos clássicos filmes B de ficção cientifica da década de 60. Ou seja, os desenvolvedores pegaram muitos elementos dos filmes antigos de sci-fi e tentam se aproveitar o máximo dessa fonte.

The Deadly Tower of Monsters é um jogo da Atlus e foi lançado em 19 de janeiro de 2016 para as plataformas PC e Playstation 4. O jogo inclusive foi dado a todos assinantes da Playstation Plus no mês de novembro de 2016.

A história de The Deadly Tower of Monsters

O jogo inicia mostrando a nave do herói Dick Starspeed caindo no planeta Gravoria, onde pouco depois ele é salvo por Scarlet Nova, filha do imperador do planeta, e se junta ao seu amigo Robô. Os 3 partem em uma jornada para subir a “Torre Mortal de Monstros” para livrar Gravoria da tirania e restaurar a paz do planeta.

The Deadly Tower of Monsters
Scarlet Nova, Robô e Dick Starspeed

A historia do jogo é bem clichê, ela realmente tem a cara de Sci-Fi da década de 60. Mas o jogo não para por ai, ele trás muitos mais elementos dessa época.

Desde o inicio o jogo deixa bem claro que tudo não passa da versão comentada de um filme de Sci-Fi de baixo orçamento, então nos temos o diretor Dan Smith fazendo comentários hilários durante todo o jogo. Ele comenta desde diálogos do jogo, efeitos especiais usados no “filme”, curiosidades dos bastidores e sobre algumas decisões de roteiro.

Visual do jogo

O jogo tem todo um visual que remete a filmes antigos, seja nos gráficos, na decisão de usar uma animação no estilo Stop-Motion em monstros feitos de massinha de modelar, em mostrar que linhas estão segurando os inimigos voadores, falhas de imagem, marcas de digitais na tela e a lista segue.

The Deadly Tower of Monsters

Os inimigos também remetem a clássicos antigos. Com direito a macacos inteligentes, gorilas e polvos gigantes, alienígenas, dinossauros, insetos gigantes e todo esses tipos de loucuras.

É uma tosqueira atrás da outra, porém é uma boa tosqueira, pois deixa tudo com cara de que foi feito com pouco orçamento, mesmo o jogo tendo sido bem feito. E após alguns minutos é impossível não começar a associar o jogo a filmes como “King Kong”, “Perdidos no Espaço”, “Planeta dos Macacos”, “Marte Ataca” ou “O Dia em que a Terra Parou”.

O Dia em que a Terra Parou
Poster de “O Dia em que a Terra Parou”. Notou alguma semelhança com a capa do jogo?

E se você quiser deixar as coisas ainda mais toscas, você pode ir nas opções e colocar o jogo no modo VHS para deixar a imagem com chuviscos, um tipo de imagem muito conhecida pela galera da época do vídeo cassete e com um áudio quase em mono. E se é para jogar algo que remete tanto a filmes de baixo orçamento da década de 60, porque não ativar essa opção e fazer as coisas direito?

O Gameplay

O jogo possui uma visão isométrica (semelhante a Diablo) e seu gameplay é bem semelhante a jogos de ação do gênero: ataque corpo a corpo e a distancia, pulo, rolamento e poder especial. Durante o jogo ainda é possível mudar de personagem entre Scarlet, Dick e Robô, sendo que a única diferente entre um personagem e outro são os poderes especiais únicos que eles possuem, já que todo o resto é compartilhado entre os personagens.

The Deadly Tower of Monsters

Ao longo do jogo você vai juntando um arsenal de 10 armas a distancia e 8 armas corpo a corpo, que varia de pistola laser, Sabre de Luz, lança chamas, espada medieval e por ai vai. Ainda é possível dar upgrade nas armas usando umas engrenagens que você pode encontrar pelo cenário.

Os personagens também possuem um esquema de nível, onde é possível chegar ate o 24° level e em cada um é possível escolher uma entre três skills passivas. Elas geralmente aumentam poder de ataque, life, regeneração ou reduzem cooldown dos podres especiais.

O jogo não chega exatamente a inovar no gameplay, já que tudo o que foi mencionado é bem comum de se encontrar em outros jogos do gênero. Talvez as únicas novidades mesmo sejam os momentos em que você pode se jogar da Torre (sim, você pode fazer isso a qualquer momento e a Torre é bem alta) para coletar itens ou alcançar lugares ate então inacessíveis, e o modo de visão para atacar os monstros pelo parapeito da Torre, então o jogo muda para uma visão que me lembrou algo como uma versão moderna de Space Invaders.

The Deadly Tower of Monsters
A “Torre Mortal de Monstros”. Meio alta né?

Mesmo não inovando, The Deadly Tower of Monsters executa a mecânica de uma forma competente e talvez o maior problema seja o fato de não ser multiplayer. E olha que ele tem todos os elementos para ser um jogo co-op bem legal.

Conclusão

The Deadly Tower of Monsters é uma boa surpresa e definitivamente vale a pena jogar, ainda mais se você é fã de filmes antigos (ou até mesmo presenciou a estreia de alguns clássicos).

Todos os principais elementos dos filmes Sci-Fi antigos foram muito bem usados e deixam o jogo com um ar bem cômico e divertido de se jogar. A narração constante do diretor é algo muito legal também e da um toque todo especial.

O jogo peca muito em não ter multiplayer porque além de combinar muito com o estilo do gameplay, teria sido algo ótimo para aumentar o pós-game após finalizar o jogo (o que leva por volta de 4 a 5 horas), não existe muita coisa para se fazer. The Deadly Tower of Monsters possui poucos segredos, o que acaba deixando o peso do pós-game todo nos achievements, que podem ser conseguidos rapidamente e com facilidade. E após isso, não existem mais novidades sobrando, o que é uma pena.

Nota

Extra

Confira o trailer do jogo: