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Mudo é o novo sci-fi da Netflix, o canal de streaming está investindo forte nesta temática, e esta é a 3ª produção neste ano de 2018. Os anteriores foram Godzilla: Planeta Monstro e The Cloverfield Paradox, ambos um desastre em suas narrativas.

A nova empreitada é dirigida por Duncan Jones, conhecido por Lunar (2009), Contra o Tempo (2011) e o controverso Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos.

Mudo tem como protagonista o barman Leo (Alexander Skarsgard) que trabalha em uma casa noturna de uma Berlim futurista. O título do longa remete à Leo, que em sua infância sofreu um acidente e não pôde mais falar. Como a família dele é de judeus amish, Leo não  fez cirurgia para reconstrução de suas cordas vocais, então ele é mudo.

A casa noturna é frequentada por gângsteres, traficantes e todo tipo de indivíduo underground esperados em uma produção de clima cyberpunk. A cidade tem bueiros esfumaçados, carros voadores, luzes neon e um clima neo-noir. A namorada de Leo, Naadirah (Seyneb Saleh), também trabalha na casa noturna, e em uma noite ela simplesmente desaparece. Nosso herói mudo então decide adentrar o submundo da cidade futurística alemã para desvendar este mistério.

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Leo e a Berlim do futuro.

Duncan Jones explora o passado de Leo de maneira rasa. Tentando descrever o personagem como um homem cheio de angustias devido sua criação amish, e este fator o deixou transtornado e com surtos de violência. Este é primeiro erro em Mudo, Skargard é um excelente ator, mas sua atuação fica muito abobalhada e infantil. Parece que Quasímodo ficou bonito e mora na Alemanha. Leo simplesmente é um brutamontes ingênuo e grandão que precisa de tratamentos psicológicos para adquirir auto-controle.

Os antagonistas são Cactus (Paul Rudd) e Duck (Justin Theroux), uma dupla de cirurgiões ex-militares que trabalham atendendo pacientes ligados ao mundo do crime. Os dois possuem uma ligação homoafetiva e passivo-agressiva muito estranha. Cactus é um homem de tendências violentas que possui uma filha e deseja retornar aos E.U.A. Enquanto o risonho Duck, trabalha colocando próteses cibernéticas em crianças, mas possui uma natureza sexual inescrupulosa e “pedofílica”.

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O controverso Cactus.

A química entre os vilões é interessante. Mas a existência deles em Mudo, é algo feito apenas para dar um clima de periculosidade na narrativa. Paul Rudd, assim como Skarsgard se esforça para entregar o melhor de sua atuação, mas seu trabalho é investido em um personagem com uma ideia mau-executada.

Temas como prostituição, trafico e submundo do crime são deixados de fundo, enquanto acompanhamos o triste e abobalhado Leo em sua jornada enfadonha. A curiosidade para saber o destino de Naadirah é o único fator que prende o espectador até o final. O desenvolvimento e motivações dos personagens não são expressados de maneira marcante, e as ideias não possuem clareza. E apenas um filme de um cara mudo tentando encontrar sua amante.

Duncan Jones tentou entregar um sci-fi com “ares” de critica social. Mas foi incapaz de desenvolver uma boa história, seja para emocionar ou para divertir. Uma pena usar o potencial de atores como Skarsgard e Rudd neste suplicio. Vamos aguardar o próximo!

REVER GERAL
Geral
Sempre almejei ser orfão de pais bilionários, ganhar poderes com a radiação solar ou proteger a Deusa Athena, mas "One-above-all" não concedeu - me tais dádivas. Descontente com o destino que os deuses me impuseram tornei-me um leitor compulsivo, PCgamer, série maníaco e cultuador da força. Qual pílula você quer? A azul ou vermelha ?