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Finalmente a Netflix disponibilizou Godzilla: Planeta dos Monstros Parte 1, a 30ª produção de Toho. Para quem não sabe, os filmes do rei dos kaijus são considerados, pelo Guiness Book, a franquia de filmes mais longa da história. A animação é uma nova parceria com a Polygon, produtora de Ajin, Knigths of Sidonia e Blame.

Godzilla: Planeta dos Monstros Parte 1 foi lancado com a ideia de reinventar a franquia, se desvencilhando das produções anteriores. A narrativa começa no fim do século XX, mostrando como ocorreu a ascensão do kaijus na Terra, e consequentemente o surgimento do Godzilla. Não existe uma explicação para a criação ou nascimento dos kaijus, eles simplesmente aparecem. Em meio ao caos provocado pelo “rei dos lagartos” a Terra é invadida por uma raça de humanoides extraterrestres pacíficos. Alguns parecem elfos saídos de Senhor dos Anéis e outros parecem os klingons.

Estes visitantes estavam a deriva no espaço depois de perderem seu planeta natal. E estão na Terra para procurar abrigo e ajudar a humanidade contra o Godzilla. Mas nem toda a tecnologia avançada dos seres espaciais conseguem aniquilar o monstro. Então como uma última medida de sobrevivência, os humanoides e humanos decidem abandonar o planeta rumo ao espaço e encontrar outra habitação.

Godzilla: Planeta dos Monstros Parte 1
Godzilla.

Em meio ao espaço, a tripulação fica a deriva e passa por dificuldades para manter a sobrevivência, eles não encontram outro lugar para povoar. Então decidem retornar para a Terra após 20 anos de viagem em dobra espacial. Quando chegam ao planeta, o período real é de 20.000 anos, e sérias mudanças ocorreram na flora e fauna do planeta. E para piorar, o Godzilla ainda esta lá, dominando o planeta.

Quanta confusão, heim? Mas vamos analisar friamente o roteiro, porque ele é o maior inimigo em Godzilla: Planeta dos Monstros Parte 1. Os enormes buracos e decisões incoerentes transformam a produção em um sci-fi chato e sem lógica.

O principal fato é abandonar o planeta Terra, para que fazer isso cara? Godzilla é um enorme monstro que se move em slow-motion, o coitado nem consegue correr. Porque eles simplesmente não foram para o outro lado do planeta afim de traçar uma estratégia e estudar a fisiologia do inimigo? Do jeito que o Godzilla se move, ele só encontraria os humanos depois de um bom tempo.

E mesmo que Godzilla se movesse como o The Flash ou a Terra ainda fosse a pangeia, não precisava ir tão longe. Era só ficar na grande nave tecnológica com dobra espacial na órbita da Terra. Ou até mesmo ficar na lua estudando a fera.

Dos 88 minutos da animação, 50 minutos são gastos com enfadonhas conversas e um protagonista chato e sem carisma. O personagem em questão é Haruo, um jovem que viu a Terra ser dominada pelo Godzilla e nutre um ódio mortal contra a fera. Durante os anos no espaço ele descobre uma estratégia para combater o monstro.

Godzilla: Planeta dos Monstros Parte 1
Mecha de batalha.

Não é só Haruo que é chato, inexpressivo e robotizado com falas simplórias saídas de um sci-fi ruim. Todo o estilo do CG empregado na animação deixa os personagens com um aspecto de androides de filmes futuristas. A movimentação deles é robotizada com seus cabelos duros e estáticos. E o Godzilla? É a maior decepção, executado de maneira monocromática e simplória, o rei dos kaijus parece uma enorme gárgula de rocha.

As únicas coisas positivas nesta animação da Polygon são as cores e o estilo, é utilizada uma paleta de cores linda em todo o cenário. O design dos veículos, naves espaciais, vestimentas e armamentos são muito bem feitos.

O estilo remete ao clássico Interestrelar de Christopher Nolan. Godzilla: Planeta dos Monstros Parte 1 é uma referência clara aos Planeta dos Macacos, mas não possui qualidade narrativa semelhante. A estratégia traçada para enfrentar a fera é simples e nada interessante. No fim, a tecnologia que não servia, acaba servindo para executar o plano.

Infelizmente não foi dessa vez que uma releitura de Godzilla impressionou. Com direção de Kobun Shizuno e Hiroyuki Seshita, Godzilla: Planeta dos Monstros Parte 1 faz parte de uma trilogia. A animação consegue ser melhor que muitas adaptações sobre o kaiju nestes últimos anos, mas faltou boas decisões ou mais esclarecimentos no roteiro. Vamos aguardar as próximas partes na esperança de um sci-fi digno.

REVER GERAL
Godzilla: Planeta dos Monstros Parte 1
Sempre almejei ser orfão de pais bilionários, ganhar poderes com a radiação solar ou proteger a Deusa Athena, mas "One-above-all" não concedeu - me tais dádivas. Descontente com o destino que os deuses me impuseram tornei-me um leitor compulsivo, PCgamer, série maníaco e cultuador da força. Qual pílula você quer? A azul ou vermelha ?