Assassino à Preço Fixo 2
Tempo de leitura: 03:56 min

O primeiro Assassino à Preço Fixo (2011), remake de um filme homônimo de 1972 com Charles Bronson, não era nenhuma bomba, mas também não era o tipo de filme que você saía da sessão empolgado e desejando uma continuação. Ainda assim, mesmo sem ninguém querer, nem pedir esse Assassino à Preço Fixo 2: Ressurreição chega aos cinemas e paradoxalmente ao que diz seu subtítulo, sepulta a possibilidade de tentar transformar em franquia o que era só mais um filme de ação.

Trama de Assassino à Preço Fixo 2

Passados alguns anos depois do primeiro filme, o assassino Bishop (Jason Statham) vive no Brasil com nova identidade até ser descoberto por uma misteriosa organização. Ao descobrir que está sendo caçado por um antigo rival, ele foge para a Tailândia para montar uma ofensiva, mas quando sua namorada, Gina (Jessica Alba), é sequestrada, ele precisa realizar três assassinatos a mando do vilão para garantir a liberdade dela.

Bishop (Jason Statham) e Gina (Jessica Alba)
Bishop (Jason Statham) e Gina (Jessica Alba)

A trama é basicamente uma reciclagem do template básico dos filmes de ação dos anos oitenta de “vamos resgatar a namorada”. Isso não é um problema em si. Não vou assistir um filme desses esperando um drama shakespeariano, mas sim o fato de não fazer nenhum esforço para ir além desse lugar-comum, nos deixando com uma narrativa sem um pingo de personalidade. O romance entre Gina e Bishop acontece simplesmente porque o roteiro manda, já que num instante ele desconfia dela, para no outro já estar completamente apaixonado, levando-a para cama e lhe dando seu relógio, um presente de seu finado pai que ele nunca tira do pulso.

O malvado do filme

O vilão é um traficante de armas genérico com um plano vago de vingança e de dominação do mercado global de armas que jamais consegue soar como uma ameaça crível. Jason Statham trabalha no piloto automático, fazendo o mesmo tipo estoico e durão que sempre faz, prejudicado por um roteiro que lhe dá alguns diálogos constrangedores de tão ruins. O veterano Tommy Lee Jones, por sua vez, passa vergonha como um histérico traficante de armas com uma barbicha risível. Por fim, Jessica Alba não tem nada a fazer além de ser a típica mocinha em perigo (sim, em pleno 2016 ainda fazem isso).

Tommy Lee Jones no papel de um traficante de armas
Tommy Lee Jones no papel de um traficante de armas

Os assassinatos executados pelo personagem não tem qualquer empolgação ou suspense, pois já de cara a narração que introduz seus alvos já identifica quais são os pontos fracos deles e qual o melhor curso de ação, os quais o protagonista cumpre sem qualquer obstáculo ou dificuldade. Alguns são tão fáceis que me pergunto se o vilão realmente precisava de Bishop. Um exemplo é a cena da piscina, se tudo que bastava era dar um jeito de quebrar o vidro (e o vilão parece saber disso), para que eles precisavam obrigar o protagonista a fazê-lo?

E as cenas de ação?

Mas pelo menos as cenas de ação são boas né? Infelizmente não. As lutas são burocráticas, sem nada que as diferencie de qualquer outro filme feito por Statham e a montagem epilética lhes tira a fluidez, deixando tudo muito fragmentado e truncado. Não ajuda o fato de Bishop despachar os oponentes com extrema facilidade, nunca nos deixando com a sensação de que ele está em perigo ou criando qualquer dúvida quando à sua possibilidade de ter sucesso.


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Para completar, qualquer resquício de imersão é quebrado pelos efeitos especiais completamente toscos, que parecem saídos de alguma série de televisão de vinte anos atrás. Um exemplo é a luta no Pão de Açúcar no Rio, toda feita com um chroma key ultra artificial que deixa claro que os personagens estão em qualquer lugar menos ali e faz tosca a cena do bondinho de 007 Contra o Foguete da Morte (1979) parecer um primor (e olha que esse é considerado um dos piores filmes de James Bond). Esse uso de chromas ruins permeia o filme todo, além de alguns efeitos de computação gráfica, como o sangue digital e as explosões, são igualmente ruins.

Conclusão

Mais parecendo uma produção de baixo orçamento a ser lançada direto para home video (e certamente seria esse seu destino não fosse a presença de nomes como Statham e Jones), Assassino à Preço Fixo 2: Ressurreição não tem nada, nem mesmo as cenas de ação, que faça valer o ingresso. Melhor esperar passar no Domingo Maior da Globo.

Nota

Nota 1/5
Nota 1/5

Saideira

E antes de ir ao cinema, dá uma conferida no trailer de Assassino à Preço Fixo 2.