Deuses do Egito
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Vou ser direto: Deuses do Egito não é apenas um filme ruim, ele é tão ruim que acaba inevitavelmente descambando para o humor involuntário e produzindo risos inesperados com a sua ruindade.

A trama se passa no antigo Egito quando os deuses do Nilo caminhavam entre os homens. O jovem ladrão Bek (Brenton Thwaites) rouba um dos olhos do deus Hórus (Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones) do cofre de Set (Gerard Butler), deus que dominou o Egito e o governa como um déspota. Bek resolve devolver o olho a Hórus e o ajuda em sua jornada para se vingar de Set em troca da ressurreição de sua amada Zaya (Courtney Eaton).

A primeira coisa que salta aos olhos são os visuais datados, que parecem saídos diretamente de alguma série de televisão dos anos noventa. Não ajuda também a computação gráfica de baixa qualidade que constrói esses ambientes e personagens, denunciando a artificialidade deste universo. As “formas divinas” dos deuses egípicios mais parecem designs rejeitados para alguma série japonesa estilo metal hero de décadas atrás e sempre que aparecem em cena produzem risos ao invés de impressionar, isso sem falar na transformação de Set em uma espécie de megazord próximo ao fim, quando ele combina os poderes dos diferentes deuses.

Na verdade até mesmo efeitos simples, como aqueles feitos para fazerem os personagens deuses parecem maiores que os personagens humanos, soam incrivelmente falsos e não há um instante em que você não tem a certeza de que está vendo apenas um bando de atores diante de um chroma key, prejudicando assim a imersão.

Deuses do Egito
Deuses do Egito

Os visuais ruins seriam perdoados se tivéssemos personagens minimamente interessantes, mas isso não acontece. Praticamente todo mundo que aparece em cena é um amontoado de clichês sem personalidade e ainda por cima são interpretados com um excesso de solenidade por seus atores, como se cada frase rasteira dita por seus personagens fosse de uma intensidade shakespeariana. É tudo tão exagerado que é difícil não rir do vilão ultra caricato concebido por Gerard Butler, que nunca soa ameaçador como deveria, igualmente risível é a performance cheia de afetação de Chadwick Boseman (que será o Pantera Negra nos filmes da Marvel) como o deus Tot.

A música é igualmente exagerada e intrusiva, tentando evocar grandiosidade em cada acorde e forçando a barra para tentar fazer tudo soar ainda mais grave, climático e intenso, mas na maioria das vezes acaba soando como uma espécie de caricatura de “trilha sonora épica”. As cenas de ação são prejudicadas pela artificialidade dos já citados péssimos efeitos digitais e também pela câmera epilética que simplesmente não consegue parar quieta e pela montagem incessante que traz tantos cortes que é praticamente impossível compreender exatamente o que está acontecendo.

Conclusão

Deuses do Egito é tão tosco, brega, clichê e exagerado que acaba tornando-se cômico em sua ruindade. Na verdade, só não recebeu uma nota mais baixa porque me fez rir e manteve distraído o suficiente para não tornar a experiência completamente enfadonha. No entanto, a menos que você junte um grupo de amigos para rir dessa bobagem, não há muito o que aproveitar aqui.

Nota

Nota 2

 

 

Bonus Stage

Confiram o trailer oficial em HD do filme Deuses do Egito.