Animais Fantásticos e Onde Habitam
Tempo de leitura: 04:44 min

Por mais que tenha gostado dos filmes da franquia Harry Potter, quando soube do anúncio deste spin-off, Animais Fantásticos e Onde Habitam, minha reação foi “precisa mesmo?”. A preocupação aumentou quando a Warner Bros anunciou a intenção de fazer dele uma trilogia e, depois ainda expandiu seus planos para um total de cinco filmes. A verdade é que mesmo com toda a desconfiança, o filme é um retorno encantador e divertido, ainda que com problemas, ao universo mágico da franquia.

A Trama Animais Fantásticos e Onde Habitam

A trama se passa nos anos de 1920 e leva o bruxo Newt Scamander (Eddie Redmayne) para Nova Iorque quando seus animais fogem e ele precisa correr pela cidade para encontrá-los e guardá-los em sua maleta. É também a história do auror Percival Graves (Colin Farell) que trabalha para a versão estadunidense do Ministério da Magia e investiga uma família de pessoas não mágicas que odeia o universo da magia.

Newt

De cara chama atenção o contraste entre as duas tramas principais do filme. De um lado temos Newt e seus amigos em uma aventura leve e pueril em busca de seres fantásticos, de outro uma trama sombria com morte, traumas, violência infantil e infâncias despedaçadas. Os filmes de Harry Potter sempre souberam equilibrar leveza e seriedade, mas lá eram os mesmos protagonistas que passavam por entre essas duas situações e tudo parecia orgânico. Aqui, com duas tramas em tons opostos correndo em paralelo e demorando para se encontrarem, fica a sensação de que pegaram ideias para dois filmes distintos e colocaram juntas para tentar preencher a minutagem necessária para um longa metragem. É esquisito e contrastante ver o Newt fazendo uma divertida dança de acasalamento para capturar uma criatura e logo em seguida vermos Credence (Ezra Miller) sofrer uma brutal violência psicológica.

Redmayne faz de Newt um sujeito gentil, introvertido e bem intencionado, ainda que um pouco atrapalhado. Ele tem uma paixão genuína pela pesquisa e por aquelas criaturas, mesmo a maioria sendo potencialmente perigosa, o que lembra um pouco o Hagrid. Redmayne convoca bem a persona “cientista maluco” de Newt, sempre com soluções pouco ortodoxas, que fazem todos desconfiarem dele, mas no fim acabam funcionando. Em sua jornada ele conta com a ajuda da ex-auror Tina (Katerine Waterston, do lisérgico Vício Inerente) e não-maj Jacob (Dan Fogler).

Interação do grupo

Grupo em busca dos animais fantasticos

O grupo, no entanto, não tem uma boa química em conjunto, estando juntos mais por necessidade do roteiro do que qualquer outra coisa, e não vende bem essa amizade forte que deveríamos perceber entre eles. O fato de não crermos neles trabalhando juntos acaba sendo um dos motivos do filme não funcionar como deveria. Além disso parece desperdiçar as possibilidades criativas de ter um não-maj entre os protagonistas, limitando Jacob a apenas fazer longas expressões boquiabertas ao ser defrontado com magia. Os temas de preconceito e intolerância entre humanos e bruxos também poderiam render um material interessante, mas são tratadas de maneira tão superficial que não rendem muita coisa.

Os animais Fantásticos

animais fantásticos e onde habitam

Os animais fantásticos do título, por outro lado, são o ponto alto do filme e há um grande esforço criativo em nos apresentar a criaturas insólitas e bizarras, com efeitos especiais bastante competentes. São elas que melhor conseguem trazer a sensação de encantamento que normalmente se espera de algo passado no universo concebido por J.K Rowling. Sempre que as criaturas ficam em evidência, incluindo o ultra adorável Pelúcio, o filme ganha fôlego e aquele encantamento que se espera da franquia realmente nos conquista. Igualmente interessante é ver como outros lugares tratam a magia, neste caso como o mundo mágico novaiorquino é bem diferente da maneira como os britânicos se relacionam com a magia. Há de se destacar também o trabalho de Ezra Miller como o traumatizado e instável Credence.

O ponto alto do filme…

O clímax, por outro lado, falha em criar uma sensação de urgência ou ameaça, nunca convencendo que os personagens estão realmente em perigo, nem nos deixando em suspense se eles conseguirão superar a ameaça. Por sinal, imaginei que a essa altura Hollywood já tivesse aprendido a lição de que colocar os heróis para enfrentarem “nuvens” é uma péssima ideia, vide Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007) ou Lanterna Verde (2011). O desfecho está ali mais como um grande teaser para um conflito maior a ser desenvolvido nos filmes seguintes com a ascenção de Grindelwald (Johnny Depp com um penteado de Pidgeotto).

Na verdade todo filme parece mais preocupado em estabelecer ideias e conflitos para filmes futuros do que em realmente contar uma história coesa com início, meio e fim. Os filmes estrelados por Harry Potter conseguiam o equilíbrio de contar uma história autocontida ao mesmo tempo que apontavam para arcos maiores e preparavam eventos futuros, mas esse equilíbrio não está presente aqui e fica a sensação de algo mais preocupado com os arcos futuros do que os presentes.

Conclusão

Nada disso, no entanto, impede que Animais Fantásticos e Onde Habitam seja uma aventura bem divertida que serve para expandir o universo concebido por J.K Rowling. As tramas paralelas não conseguem se juntar para formar um todo coeso e tudo parece um grande prólogo para uma história maior que ainda vai ser contada, mas é um recomeço satisfatório que traz em si a promessa de aventuras mais interessantes.

Nota

Nota 3/5
Nota 3/5

Saideira

Antes de ir ao cinema confira o trailer de Animais Fantásticos e Onde Habitam.