Mercado Editorial Japonês de Mangás

Você é leitor de mangás? Gosta dos costumes orientais ou simplesmente é curioso sobre outras culturas? Neste artigo iremos conhecer o mercado editorial japonês de mangás para compreendermos melhor como as mais aclamadas histórias que todo o Ocidente ama, tem origem.

Como são lançados os mangás?

Aqui temos, com certeza, o fato mais curioso sobre as edições japonesas, no Brasil somos extremamente exigentes quanto a qualidade de nossas queridas revistas, afinal quem quer colecionar material feio com papel de baixa qualidade? Papel Jornal, nem pensar! Os colecionadores mais “chatos” (eu sou um deles) desprezam este material e deixam de comprar determinadas edições devido a esta característica.

Na terra do Sol Nascente as histórias não saem em livros encadernados no lançamento, primeiramente são serializadas em revistas voltadas para um público ou tema especifico apelidadas por eles de anthology ou magazine. A periodicidade pode ser semanal, semestral, mensal, etc.

No Japão as historias inicialmente saem em revistas chamas de anthology ou magazine
No Japão as historias inicialmente saem em revistas chamas de anthology ou magazine

São centenas de publicações com estilos, preços e encadernações das mais variadas, mas normalmente elas possuem o tamanho de uma lista telefônica, com um material horrível (papel jornal, ECA!), impressão pobre e na maioria das vezes com conteúdo separado por cores, ou seja, um capítulo todo vermelho, outro todo azul, um todo amarelo… não seria melhor preto e branco? Vai entender!

A clássica Shonen Jump, famosas por publicar One Punch e Naruto
A clássica Shonen Jump

Revistas especializadas em mangás, como a famosa JUMP da editora Shueisha, possui diferentes publicações, como Jump SQ, Shounen Jump, Young Jump, Super Jump, Ultra Jump, etc, para atender os mais variados públicos.  O interessante é que algumas revistas de temas diferentes como moda, cultura, entretenimento e negócios também lançam mangás em suas páginas.

Não existem encadernados?

Sim, existem muitos de boa qualidade, mas poucos perto da grande diversidade. Para a maioria das histórias virarem encadernados precisam ganhar público ou fama.  Geralmente as editoras fazem contrato de exclusividade com autores e ilustradores para formarem sua equipe e fidelizarem seu público.

Quando a obra ganha fama e tem conteúdo suficiente, recebe uma versão encadernada. Os encadernados nipônicos geralmente se assemelham a livros, eles possuem capa de proteção, orelhas e contra capa. Mas também existem histórias que nunca saem do seu humilde papel jornal e de baixa qualidade.

Formatos

Vamos conhecer alguns formatos e suas devidas nomenclaturas, algumas delas já fazem parte do cotidiano dos apreciadores de mangás:

  • Tankoubon: Este com certeza é o mais conhecido e também consumido no mercado brasileiro. Ele compila em torno de 160 a 200 páginas e costuma ser do tamanho de um livro de bolso. No Japão eles utilizam este nome para outros livros também, mas no exterior virou sinônimo de mangá.
  • Wideban: Formato maior que o tankoubon, tem páginas próximas de uma folha A4, a quantidade de páginas pode ser igual ou maior que o formato citado anteriormente. Recentemente a JBC lançou Ghost in the Shell neste formato.
  • Kanzeban: A palavra mais especulada, graças a JBC que trouxe a edição de luxo dos Cavaleiros do Zodíaco para as terras de Cabral. Isso caro leitor!! Kanzeban é uma edição de luxo e definitiva de uma história aclamada, tem uma quantidade maior de páginas, melhor qualidade no papel e mais páginas coloridas.
  • Bunkoban: Edição de colecionador, geralmente é um relançamento com mais de 200 páginas e tem o tamanho de um livro de bolso.
  • Aizouban: Edição de colecionador com maior qualidade, número de páginas, valor alto e com edições limitadas.
  • Shinshouban: Versão remodelada, é um relançamento que geralmente ganha capa nova, páginas coloridas, extras, rascunhos inéditos, correções, reorganização de capítulos etc. Tem as mesmas características do tankoubon, mas é uma edição relançada depois de um tempo com conteúdo inédito e repaginação para os “japas” gastarem seus ienes (moeda japonesa).

Mas que redator maluco desse blog, cadê o formato meio-tanko que foi tão famoso no Brasil quando a disseminação das histórias nipônicas chegaram por aqui? Caro otaku, esta nomenclatura é brasileira, quando as grandes editoras começaram a trazer títulos para a terra do carnaval, por motivos econômicos, adotaram este formato no intuito de diminuir seu preço unitário.

O formato meio-tanko foi criado pelas editoras Brasileiras quando os mangás começaram a ser lançados por aqui
O formato meio-tanko foi criado pelas editoras Brasileiras quando os mangás começaram a ser lançados por aqui

O que é Meio-Tankou?

Meio-tankou é um tankoubon dividido em partes, por exemplo, 3 volumes viram 6 meio-tankou. Um fator extremamente negativo (do meu ponto de vista), porque se por um lado o preço unitário diminui, a quantidade de volumes aumenta. E além de tudo, o papel empregado normalmente é o jornal com encadernação de baixa qualidade. Graças aos deuses do Oriente e do Ocidente essa prática tornou-se quase rara.

O Mangaká

Por fim o fator mais importante, o cara que desenha ou cria histórias para mangá, ou seja, o ilustrador, desenhista e roteirista daquela revista da sua amada coleção. Este nobre individuo é intitulado de Mangaká.

Takeriko Inoue criador de Vagabond e Slum Dunk
Takeriko Inoue criador de Vagabond e Slam Dunk

A rotina deles não é nada fácil, o tempo livre é tomado pela rotina do trabalho, afinal  de contas eles devem desenhar e ainda roteirizar as suas histórias. Estima-se que existam milhares de mangakás, uma grande parte em Tóquio, e eles devem trabalhar mais de 15 horas por dia, sete dias na semana com tempo sobrando apenas para dormir e comer.

É claro que nem todo mangaká trabalha sozinho, existem os que contam com a ajuda de um roteirista. E nestes casos o contato entre os dois tem que ser fiel e assíduo, ao ponto até de morarem juntos no estúdio de criação. Um mangaká com publicação semanal chega a fazer de 15 a 30 páginas e um mensal produz entre 40 a 60 páginas.

Osamu Akimoto e o volume 200 do seu mangá Kochikame
Samu-Akimoto e o volume 200 do seu mangá Kochikame

Neste ramo não ache que a fama trás paz e sossego, um mangá semanal famoso fica sendo publicado durante anos, Dragon Ball, por exemplo, foi serializado por 11 anos. Kochikame de Osamu Akimoto, é o mangá mais longo já publicado no Japão, criado em setembro 1976 e finalizado em setembro de 2016 com 200 volumes, ou seja, 40 anos sendo publicado. Agora pense comigo, fazer em média 20 páginas toda semana durante 40 anos, aja amor pelo trabalho.

Vamos dar mais valor aos nossos amados mangás!!!

E aí meu caro leitor? Deu para aprender um pouco sobre como funciona o mercado editorial nipônico? Dê sua opinião, é muito importante para nós! Compartilhe seus conhecimentos!

COMPARTILHAR
Artigo anteriorAgents of SHIELD: 4ª Temporada – Análise
Próximo artigoTerceira temporada de Flash – Análise
Sempre almejei ser orfão de pais bilionários, ganhar poderes com a radiação solar ou proteger a Deusa Athena, mas "One-above-all" não concedeu - me tais dádivas. Descontente com o destino que os deuses me impuseram tornei-me um leitor compulsivo, PCgamer, série maníaco e cultuador da força. Qual pílula você quer? A azul ou vermelha ?